Meu Caro:
Começarei me desculpando por nunca ter lhe escrito, acho que isso se deu pelo fato de que sempre tive para mim que não fazias questão de minha presença em tua rotina. Algumas vezes, se me lembro bem, chamei pelo teu nome; entendo que não tenhas me escutado, devias mesmo era estar ocupado, ou de férias, descansando em alguma tropicália praiana ou até mesmo no aconchegante frio serrano. Quem sabe só não me julgastes mal, pois admito que, se te chamei fervorosamente alguma vez, tal necessidade não durou muito tempo. Entenda que uma de minhas características é a impaciência, e quando tenho um problema não sei esperar, só sei resolver – ou tentar.
Escrevo-lhe em um dia ensolarado de extrema calmaria, e afirmo-lhe, então, que não quero nada em troca dessas meras declarações. Estou apenas me identificando, me mostrando, me apresentando. Quem sabe assim podemos dar início a uma não tão turbulenta relação de amizade ou tolerância. Ou quem sabe só lerás essa carta e me responderás com curtas palavras, negando minha tentativa de pacificação…
Ultimamente tenho te procurado e, se alguma vez prestastes atenção em mim, pôde ver que estou me mantendo na linha, longe dos velhos problemas. Encare isso como um convite, quem sabe para um chá, ou até mesmo uma breve estadia em minha cama. Sem compromisso. Se sentires que em algum momento algo desandou, ou que algum fato defasou a nossa possível futura relação, podes ir embora, me conformarei com tua ausência. Sem ofensas, mas lidei demasiadamente bem com ela ao longo desses anos. Se vieres, podemos pelo menos bater um papo; sobre mim, sobre ti. Ou então apenas ficarmos calados enquanto tomamos um chocolate quente vespertino. Só quero te ver, conhecer sua não tão famosa aparência e ver se tens mesmo a tranqüilidade que trás no nome. Matar a curiosidade.
Elisa.