Arquivo da categoria ‘Cartas’

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Para falar de perdas

Agosto 21, 2009
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(Seu nome aqui)

Andei pensando sobre nós, sobre nossa relação tardía. Tínhamos o dia todo, e nos resolvemos pela noite. Não nos culpe, o ser humano é assim mesmo, só percebe o que perdeu depois de perder… E hoje me pergunto, o que nós perdemos?

Eu sei o que eu perdi – e o que ganhei: perdi as risadas de praxe de seu desajeito. Ganhei saudades atrasadas. Perdi teus longos braços em volta de meu pequeno semblante. Ganhei você em minha memória ao som de Old Man. Perdi nossas longas tardes na orla do rio. Ganhei nosso nome escrito no banco da praça.

(Se não for pedir demais) Me espera,
Elisa.

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Não nos descarte

Abril 23, 2009

Te escrevi uma vez só pra dizer que pensava em ti, e hoje escrevo para dizer que não vivo sem ti. De lá pra cá não mudaram só os motivos pelo qual escrevo, mas também nossos beijos, nossa saudade, nossa dependência e nossa intensidade. “Te pus na minha cama outro dia, para manter-te vivo e também para saber como é”, eu dizia, e hoje digo, sempre que te ponho em minha cama é por amor, pelo prazer certeiro do teu toque, seja ele intenso ou um simples afago na nuca.

Tenho evitado te deixar sozinho por muito tempo, mas não por ti, por mim… Pela vontade de te botar em baixo dos meus cuidados, de te prender no meu abraço, de te sufocar, de te ter unicamente pra mim – ou simplesmente te ter, te ter inteiro, de verdade, pra te chamar de meu, pra gritar que sou sua. Me assombra o fim de tudo isso, me assombra ele chegar algum dia, mas principalmente como será quando ele chegar.

Tenho medo que penses que me arrependi, ou que passe pela minha cabeça que podia ter sido melhor… Pra mim, nós fomos tudo – e só meu coração sabe como eu quero dizer que somos tudo. Não somos os mesmos, somos melhores e também piores. Somos tudo e ao mesmo tempo nada, somos um do outro e ao mesmo tempo de nós mesmos, somos amigos e ao mesmo tempo inimigos…

Somos amor, e ao mesmo tempo… amor.

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Não é descartável

Fevereiro 14, 2009

Se eu pudesse juntar tudo que te diz respeito dentro de mim em uma garrafa, eu provavelmente não o faria. Talvez pra não precisar lembrar ou talvez para não correr o risco de sentir vontade de bebê-la, mesmo que só de vez em quando. Até porque existiria a possibilidade de eu querer beber tudo de uma vez, e se me conheço bem, mesmo depois da garrafa seca ainda a guardaria, pra admirar o que ficou – ou o que não ficou.

Escrevo só para dizer que penso em ti, penso no que ficou pra trás, penso no que trouxemos e também no que levaríamos se tudo não fosse tão fora de mão. Não sofro mais, mas também não ponho mais as cartas na mesa; pura covardia, mas não me envergonho… Assim como não me envergonhei quando disse que sentia sua falta.

Admito que te levo comigo, na maior parte do tempo longe do coração. Mas às vezes insistes em invadi-lo – a teimosia sempre te acompanhou. Às vezes guardo numa caixinha, às vezes levo pra passear, às vezes te ponho na cama. Te pus na minha cama outro dia, para manter-te vivo e também para saber como é.

Nem eu nem você somos descartáveis, mas mesmo assim, insistimos em nos botar fora, insistimos…

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Ao meu amado George

Setembro 25, 2008

Perdoa-me! Já tive mais confiança nas minhas promessas. Sei do teu desespero e tu sabes que o meu não é menor, nem menos assassino. Tu és o único que conhece todos os meus labirintos e o único que conhece todos os meus sentimentos. Às vezes acho que somos um só, ou a mesma coisa, não sei… Só sei que nos conhecemos como se fôssemos parte de uma mesma matéria. A metafísica não tem ajudado, e muito menos o plano que nos contorna, por isso eu necessito de ti. Eu costumava saber que as coisas iam melhorar… Hoje, entristecida, lamento ser só uma esperança. Perdoa-me por deixar isso acontecer, por deixar desandar, por perder a fé. Asseguro-te que não é desgastante querer por nós dois, lutar por nós dois, esperar por nós dois. Mas como podes ver, aqui nessa nossa individualidade, estou queimada, moída, espremida. Mas por dentro… Ah, por dentro está pior.

De quem está sempre do teu lado.

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Carta ao sossego

Agosto 15, 2008

Meu Caro:

Começarei me desculpando por nunca ter lhe escrito, acho que isso se deu pelo fato de que sempre tive para mim que não fazias questão de minha presença em tua rotina. Algumas vezes, se me lembro bem, chamei pelo teu nome; entendo que não tenhas me escutado, devias mesmo era estar ocupado, ou de férias, descansando em alguma tropicália praiana ou até mesmo no aconchegante frio serrano. Quem sabe só não me julgastes mal, pois admito que, se te chamei fervorosamente alguma vez, tal necessidade não durou muito tempo. Entenda que uma de minhas características é a impaciência, e quando tenho um problema não sei esperar, só sei resolver – ou tentar.

Escrevo-lhe em um dia ensolarado de extrema calmaria, e afirmo-lhe, então, que não quero nada em troca dessas meras declarações. Estou apenas me identificando, me mostrando, me apresentando. Quem sabe assim podemos dar início a uma não tão turbulenta relação de amizade ou tolerância. Ou quem sabe só lerás essa carta e me responderás com curtas palavras, negando minha tentativa de pacificação…

Ultimamente tenho te procurado e, se alguma vez prestastes atenção em mim, pôde ver que estou me mantendo na linha, longe dos velhos problemas. Encare isso como um convite, quem sabe para um chá, ou até mesmo uma breve estadia em minha cama. Sem compromisso. Se sentires que em algum momento algo desandou, ou que algum fato defasou a nossa possível futura relação, podes ir embora, me conformarei com tua ausência. Sem ofensas, mas lidei demasiadamente bem com ela ao longo desses anos. Se vieres, podemos pelo menos bater um papo; sobre mim, sobre ti. Ou então apenas ficarmos calados enquanto tomamos um chocolate quente vespertino. Só quero te ver, conhecer sua não tão famosa aparência e ver se tens mesmo a tranqüilidade que trás no nome. Matar a curiosidade.

Elisa.