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Não é descartável
fevereiro 14, 2009, 3:54 am
Filed under: Amor, Cartas, Desabafos

Se eu pudesse juntar tudo que te diz respeito dentro de mim em uma garrafa, eu provavelmente não o faria. Talvez pra não precisar lembrar ou talvez para não correr o risco de sentir vontade de bebê-la, mesmo que só de vez em quando. Até porque existiria a possibilidade de eu querer beber tudo de uma vez, e se me conheço bem, mesmo depois da garrafa seca ainda a guardaria, pra admirar o que ficou – ou o que não ficou.

Escrevo só para dizer que penso em ti, penso no que ficou pra trás, penso no que trouxemos e também no que levaríamos se tudo não fosse tão fora de mão. Não sofro mais, mas também não ponho mais as cartas na mesa; pura covardia, mas não me envergonho… Assim como não me envergonhei quando disse que sentia sua falta.

Admito que te levo comigo, na maior parte do tempo longe do coração. Mas às vezes insistes em invadi-lo – a teimosia sempre te acompanhou. Às vezes guardo numa caixinha, às vezes levo pra passear, às vezes te ponho na cama. Te pus na minha cama outro dia, para manter-te vivo e também para saber como é.

Nem eu nem você somos descartáveis, mas mesmo assim, insistimos em nos botar fora, insistimos…