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No espelho que és
março 20, 2012, 8:16 am
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É por ti
que meu reflexo brilha
sem padecer

Pois foi em ti
que fiz de mim
o que eu queria ser

 

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Rayuela
março 15, 2012, 3:50 am
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Com quantas palavras se escreve um amor?

“Toco a sua boca com um dedo, toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se, pela primeira vez, a sua boca entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade, eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto, e que, por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você. Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõe-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem, com um perfume antigo e um grande silêncio. Então as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se estivéssemos com a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.

Rayuela – Julio Cortázar



Me faltam palavras…
março 13, 2012, 8:01 am
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… e enquanto não as tenho, entrego-lhes a magia das palavras de outra pessoa:

“… but then they danced down the street like dingledodies, and I shambled after as usual as I’ve been doing all my life after people that interest me, because the only people that interest me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, desirous of everything at the same time, the ones that never yawn or say a commonplace thing… But burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles across the night, exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centrelight pop and everybody goes ‘Awww!’.”

On The Road – Jack Kerouac

“… Mas eles dançaram rua abaixo como aqueles que te alegram, e eu cambaleei depois de como de costume o que tenho feito por toda a minha vida atrás de pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que são loucas para viver, loucas para falar, desejantes de tudo ao mesmo tempo, aquelas que nunca bocejam ou dizem algo comum no lugar comum… Mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas romanas amarelas pela noite afora, explodindo como aranhas através das estrelas e no meio você vê aquela luz azul estourar e todo mundo grita ‘Awww!’.”